A VOZ DO FUTURO
A tormenta
ergueu‑se
tal Adamastor antigo,
o que guarda na voz
a recordação do medo
de todos os naufrágios.
tal Adamastor antigo,
o que guarda na voz
a recordação do medo
de todos os naufrágios.
Percorreu
as aldeias bramindo,
como quem relembra aos homens
que o mundo é feito de forças
que nenhum mapa contém.
como quem relembra aos homens
que o mundo é feito de forças
que nenhum mapa contém.
Os
ventos gritaram bem alto,
os
rios desviaram o seu rumo
e
alastraram a sua vontade pelos campos.
As valetas saltaram em desespero sobre as estradas,
As valetas saltaram em desespero sobre as estradas,
as
janelas voaram pelas planícies,
as casas desgrenhadas pediram
por socorro,
os ferros retorcidos lastimaram,
a luz deu
lugar à escuridão.
As gentes choram vidas;
nada conseguiu conter a fúria dos céus.
nada conseguiu conter a fúria dos céus.
Quando o gigante se dissipou,
como neblina cansada,
ficou no ar um silêncio fértil,
uma promessa sem palavras,
como se o futuro, tímido,
ensaiasse o gesto de voltar.
como neblina cansada,
ficou no ar um silêncio fértil,
uma promessa sem palavras,
como se o futuro, tímido,
ensaiasse o gesto de voltar.
Entre destroços e sal,
os povos descobriram que a esperança
não nasce do que resta,
mas do que a memória se recusa a perder.
os povos descobriram que a esperança
não nasce do que resta,
mas do que a memória se recusa a perder.
Porque há sempre um futuro
que insiste
em erguer‑se das ondas.
em erguer‑se das ondas.
Fernando
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