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Mostrando postagens de março, 2026

DENTRO DAS MANHÃS

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A madrugada, o café, a cascata em chamas sobre as chávenas, o aroma delicioso O sabor do pão, o cheiro inefável A casa, a nossa casa A vida, o sonho derramado na concretização A aragem matinal dissipando a neblina Os raios de sol espreguiçando-se As velas desfilando a perspectiva O rádio sobre o horizonte, a música embalando o momento E depois, existes tu e eu dentro das manhã (poema de 02-07-2019) Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

DIA MUNDIAL DA ÁRVORE

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As árvores são mais do que paisagem — são presença. Erguem-se com a serenidade de quem conhece o pulsar da Terra e guardam, nos seus corpos, capítulos inteiros da nossa história. Cada raiz que se estende é um gesto de amabilidade, cada folha que nasce um acto poético, cada fruto uma celebração discreta da vida. No silêncio das florestas, as árvores ensinam-nos a crescer, a resistir às tempestades e a procurar o caminho da luz. São abrigo, alimento, sombra casa comum. Futuro. Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados

DIA MUNDIAL DA FELICIDADE | 20 de MARÇO

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A felicidade não é um destino, nem um raio de sol eterno. É sopro breve, um brilho que se acende no meio do caminho. Vive escondida nos detalhes: no riso que nasce sem aviso, no silêncio que abraça, no instante em que o mundo inteiro cabe dentro de um olhar. Talvez seja essa a magia: saber acolher os pequenos milagres do quotidiano, deixar-se tocar pela surpresa da luz que irradia. Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados

FILHO

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(poema de 02-09-2017) Não senti o êxtase de te carregar no ventre, Porque sou homem. Mas não te amo menos por isso. Porque um pai transporta o filho na alma. Andei contigo ao colo vezes sem conta, Até adormeceres nos meus olhos. Abracei-te junto ao peito Para sentir a tua pele E inebriar-me com o teu perfume de anjo. Quando ainda não sabias falar, Conversávamos com o coração E com o sorriso do olhar. Entendíamo-nos por gestos E com os sons do pensamento. Ajudei-te a dar os primeiros passos E ensinei-te a andar de bicicleta. Às vezes, em movimentos pouco ajuizados, Rebolávamo-nos pelo chão Em brincadeiras patetas, E ríamo-nos sem parar. Dei-te a ouvir a minha música, A ler os meus livros E a ver os meus filmes. Alimentei os teus sonhos com os meus sonhos E fiz-te navegar pelas minhas convicções. Mas sempre soube que não eras meu, Apesar dessas doces ilusões. Foste um projecto divino, Um teste de Deus À minha capacidade de amar, À minha capacidade de abnegação, Ao meu egoísmo. Já não sou...

SE O MUNDO OUSASSE

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E se, em vez de guerras, construíssemos navios que fossem jardins sobre o mar? Porta‑aviões que não transportam medo, mas sementes por germinar. Que atravessam o oceano como quem leva um abraço a quem tem frio. Navios onde o ar cheira a pão acabado de cozer, onde as paredes guardam risos, onde cada corredor é um caminho de regresso à dignidade. E se os drones que cruzam o céu fossem apenas pequenos guardiões, a deslizar sobre campos de flores, a seguir o brilho dos rios, a ouvir o coração profundo dos mares? Máquinas que não procuram alvos — procuram vida. Que não vigiam fronteiras — vigiam fragilidades. Talvez seja isto que nos falta: virar o mundo com a delicadeza de quem vira uma pétala caída, e descobrir que, do outro lado, ainda há luz. Usar a mesma inteligência que hoje ergue muros para construir abrigos. A mesma tecnologia que hoje vigia destruição para vigiar renascimentos. Imagina um “porta‑esperança”: um navio onde a n...