(poema de 02-09-2017) Não senti o êxtase de te carregar no ventre, Porque sou homem. Mas não te amo menos por isso. Porque um pai transporta o filho na alma. Andei contigo ao colo vezes sem conta, Até adormeceres nos meus olhos. Abracei-te junto ao peito Para sentir a tua pele E inebriar-me com o teu perfume de anjo. Quando ainda não sabias falar, Conversávamos com o coração E com o sorriso do olhar. Entendíamo-nos por gestos E com os sons do pensamento. Ajudei-te a dar os primeiros passos E ensinei-te a andar de bicicleta. Às vezes, em movimentos pouco ajuizados, Rebolávamo-nos pelo chão Em brincadeiras patetas, E ríamo-nos sem parar. Dei-te a ouvir a minha música, A ler os meus livros E a ver os meus filmes. Alimentei os teus sonhos com os meus sonhos E fiz-te navegar pelas minhas convicções. Mas sempre soube que não eras meu, Apesar dessas doces ilusões. Foste um projecto divino, Um teste de Deus À minha capacidade de amar, À minha capacidade de abnegação, Ao meu egoísmo. Já não sou...