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VIAJANTES CELESTES

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Sete viajantes celestes atravessam Áries como quem atravessa um portal esquecido. Não caminham: flutuam sobre fogos antigos, despertando memórias que o mundo já não sabia guardar. O Sol veste-se de ouro líquido e abre o caminho, um farol que rasga o véu entre o que fomos e o que ousamos ser. A Lua segue-o, translúcida, carregando nas mãos o eco das emoções que ainda não nasceram. Mercúrio sussurra encantamentos rápidos, palavras que brilham como lâminas húmidas. Marte, guardião do fogo primordial, ergue o seu estandarte de cinzas vivas. Saturno, o velho alquimista, recolhe o tempo nas mãos e molda-o em silêncio. Neptuno dissolve fronteiras, transformando o ar em neblina sagrada. E Quíron, o curandeiro ferido, caminha por último, para abrir o coração do mistério. Quando sete planetas atravessam Áries, o cosmos entoa um cântico que só a alma reconhece. As sombras tornam-se tochas. Os medos tornam-se portais. O destino torna-se chama. É o instante em que o universo recorda o primeiro sopr...

LUZ INTEIRA E ESPERANÇOSA

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Há momentos em que o choro nos consome, a alma recolhe-se como um pássaro cansado que procura um ramo seguro onde pousar. O mundo continua a girar lá fora, mas dentro de nós o tempo abranda, e cada pensamento ecoa como passos num corredor despido e silencioso. Ainda assim, mesmo nesse intervalo entre o que dói e o que se espera, há uma claridade que nos habita — discreta, mas verdadeira — como uma chama que não se deixa apagar pelo vento. Às vezes, a vida parece um céu encoberto. Mas por detrás das nuvens cinzentas a luz continua inteira, à nossa espera. E tu és feito(a) dessa mesma luz: não da que ofusca, mas da que aquece; não da que grita, mas da que permanece. Há uma força em ti que não precisa de ser vista para existir — basta senti-la, como quem sente o mar mesmo sem o ver. Quando o cansaço te tocar, deixa que a esperança se sente ao teu lado. Ela não exige nada, não te apressa, não te cobra. Apenas te acompanha, como um fio de música distante que te lembra que ainda há beleza ...

DENTRO DAS MANHÃS

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A madrugada, o café, a cascata em chamas sobre as chávenas, o aroma delicioso O sabor do pão, o cheiro inefável A casa, a nossa casa A vida, o sonho derramado na concretização A aragem matinal dissipando a neblina Os raios de sol espreguiçando-se As velas desfilando a perspectiva O rádio sobre o horizonte, a música embalando o momento E depois, existes tu e eu dentro das manhã (poema de 02-07-2019) Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

DIA MUNDIAL DA ÁRVORE

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As árvores são mais do que paisagem — são presença. Erguem-se com a serenidade de quem conhece o pulsar da Terra e guardam, nos seus corpos, capítulos inteiros da nossa história. Cada raiz que se estende é um gesto de amabilidade, cada folha que nasce um acto poético, cada fruto uma celebração discreta da vida. No silêncio das florestas, as árvores ensinam-nos a crescer, a resistir às tempestades e a procurar o caminho da luz. São abrigo, alimento, sombra casa comum. Futuro. Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados

DIA MUNDIAL DA FELICIDADE | 20 de MARÇO

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A felicidade não é um destino, nem um raio de sol eterno. É sopro breve, um brilho que se acende no meio do caminho. Vive escondida nos detalhes: no riso que nasce sem aviso, no silêncio que abraça, no instante em que o mundo inteiro cabe dentro de um olhar. Talvez seja essa a magia: saber acolher os pequenos milagres do quotidiano, deixar-se tocar pela surpresa da luz que irradia. Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados

FILHO

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(poema de 02-09-2017) Não senti o êxtase de te carregar no ventre, Porque sou homem. Mas não te amo menos por isso. Porque um pai transporta o filho na alma. Andei contigo ao colo vezes sem conta, Até adormeceres nos meus olhos. Abracei-te junto ao peito Para sentir a tua pele E inebriar-me com o teu perfume de anjo. Quando ainda não sabias falar, Conversávamos com o coração E com o sorriso do olhar. Entendíamo-nos por gestos E com os sons do pensamento. Ajudei-te a dar os primeiros passos E ensinei-te a andar de bicicleta. Às vezes, em movimentos pouco ajuizados, Rebolávamo-nos pelo chão Em brincadeiras patetas, E ríamo-nos sem parar. Dei-te a ouvir a minha música, A ler os meus livros E a ver os meus filmes. Alimentei os teus sonhos com os meus sonhos E fiz-te navegar pelas minhas convicções. Mas sempre soube que não eras meu, Apesar dessas doces ilusões. Foste um projecto divino, Um teste de Deus À minha capacidade de amar, À minha capacidade de abnegação, Ao meu egoísmo. Já não sou...

SE O MUNDO OUSASSE

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E se, em vez de guerras, construíssemos navios que fossem jardins sobre o mar? Porta‑aviões que não transportam medo, mas sementes por germinar. Que atravessam o oceano como quem leva um abraço a quem tem frio. Navios onde o ar cheira a pão acabado de cozer, onde as paredes guardam risos, onde cada corredor é um caminho de regresso à dignidade. E se os drones que cruzam o céu fossem apenas pequenos guardiões, a deslizar sobre campos de flores, a seguir o brilho dos rios, a ouvir o coração profundo dos mares? Máquinas que não procuram alvos — procuram vida. Que não vigiam fronteiras — vigiam fragilidades. Talvez seja isto que nos falta: virar o mundo com a delicadeza de quem vira uma pétala caída, e descobrir que, do outro lado, ainda há luz. Usar a mesma inteligência que hoje ergue muros para construir abrigos. A mesma tecnologia que hoje vigia destruição para vigiar renascimentos. Imagina um “porta‑esperança”: um navio onde a n...

MILAGRE

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Em cada pequena coisa um gesto divino Acordar: sintonizar-se com o universo, sentir cada partícula na energia da respiração, como se o próprio cosmos existisse em nós. Um movimento simples e banal, como passar a mão pelos cabelos contém a eternidade de um aprender. Abrir os olhos, deixar entrar a luz, ver, percorrer o caminho com a destreza de um raio solar, num gesto de quem recebe o primeiro brilho da criação. Sentir o vento na pele, o calor do sol, o toque suave das ondas. Captar o aroma da terra, o sal do mar, o perfume de uma rosa, em cada fragrância um milagre a despertar. Milagre após milagre, assim nos movemos, sem perceber o mistério. Sorrir, amar, fluir através de um rio de emoções, milagre após milagre, eis o que perdemos em cada acto sem gentileza. Mas quando abrimos espaço para o silêncio, quando deixamos o coração pousar no instante, o mundo revela o seu segredo mais antigo: que tudo o que vive é um convite à ternura. um sacramento discreto da presença. ...

A VOZ DO FUTURO

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A tormenta ergueu‑se tal Adamastor antigo, o que guarda na voz a recordação do medo de todos os naufrágios . Percorreu as aldeias bramindo, como quem relembra aos homens que o mundo é feito de forças que nenhum mapa contém. Os ventos gritaram bem alto, os rios desviaram o seu rumo e alastraram a sua vontade pelos campos. As valetas saltaram em desespero sobre as estradas, as janelas voaram pelas planícies, as casas desgrenhadas pediram por socorro, os ferros retorcidos lastimaram, a luz deu lugar à escuridão. As gentes choram vidas; nada conseguiu conter a fúria dos céus. Quando o gigante se dissipou, como neblina cansada, ficou no ar um silêncio fértil, uma promessa sem palavras, como se o futuro, tímido, ensaiasse o gesto de voltar. Entre destroços e sal, os povos descobriram que a esperança não nasce do que resta, mas do que a memória se recusa a perder. Porque há sempre um futuro que insiste em erguer‑se das ondas. Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direi...

EU TENHO UM SONHO

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" I have a dream " (1) Eu tenho um sonho ! Q ue um dia viveremos para o conhecimento. Que " um livro, uma caneta, uma criança e um professor” (2) deixem de ser apenas obje c tos, e passem a ser sementes de um mundo inteiro. Que cada página seja terra fértil, cada palavra um gesto, e cada gesto um futuro. Eu tenho um sonho ! Que as espingardas, enfeitadas de cravos, libertem apenas sílabas ao vento. Que os canhões disparem frases inteiras, e que os únicos ferimentos que existam sejam emoções — emoções que tocam, que despertam, que transformam. Eu tenho um sonho! Vejo, no horizonte, aviões outrora de guerra transformados em mensageiros da luz. Imagino-os a abrir os seus porões para deixar cair milhares de livros, como chuva mansa sobre campos sedentos. E imagino também uma única bomba atómica — não a que destrói, mas a que ilumina. A explosão do conhecimento a espalhar-se pelo mundo como uma aurora que nunca se apaga. Eu tenho um sonho! Às vezes, este sonh...

PAX MUNDI

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IMACULADA CONCEIÇÃO Vós, Senhora Que fostes Santa na maternidade Morada da vida eterna Padroeira de Portugal Livrai-nos da tentação Concedei-nos A paz universal Amém   Fernando Alagoa © todos os direitos reservados Sexta-feira Santa, 18-04-2025  

RISO e ESPERANÇA

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No riso de uma criança luz arco-íris sonho esperança Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

QUERIA TANTO DAR-TE UM ABRAÇO

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Queria tanto dar-te um abraço, e ficar assim, em silêncio, só pelo prazer desse enlace. Nessa impossibilidade, vou guardar todos os abraços e enviá-los para as madrugadas dos abraços por dar, assim, cada vez que o sol nascer nem um só abraço se irá perder, saberás, que sou eu que te estou a abraçar. (O abraço que acolhe e protege em silêncio, refúgio que é também presença) Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

SEDE

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Os meus lábios enamoraram-se pelos teus, em chamas, suplicam pelos beijos que havemos de trocar. Se o fogo me dominar, deixa-me arder, levar-te-ei comigo até a sede se perder. Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

CHUVA

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A chuva abraça o casario com ternura Beija as janelas com carinho Lá dentro, as almas deixam-se embalar Num sono indolente e tranquilo A chuva persiste Lentamente De mansinho Fernando Alagoa © todos os direitos reservados