LUZ INTEIRA E ESPERANÇOSA
Há momentos em que o choro nos consome, a alma recolhe-se como um pássaro cansado que procura um ramo seguro onde pousar. O mundo continua a girar lá fora, mas dentro de nós o tempo abranda, e cada pensamento ecoa como passos num corredor despido e silencioso. Ainda assim, mesmo nesse intervalo entre o que dói e o que se espera, há uma claridade que nos habita — discreta, mas verdadeira — como uma chama que não se deixa apagar pelo vento.
Às vezes, a vida parece um céu encoberto. Mas por detrás das nuvens cinzentas a luz continua inteira, à nossa espera. E tu és feito(a) dessa mesma luz: não da que ofusca, mas da que aquece; não da que grita, mas da que permanece. Há uma força em ti que não precisa de ser vista para existir — basta senti-la, como quem sente o mar mesmo sem o ver.
Quando o cansaço te tocar, deixa que a esperança se sente ao teu lado. Ela não exige nada, não te apressa, não te cobra. Apenas te acompanha, como um fio de música distante que te lembra que ainda há beleza no caminho. E há, sempre houve, mesmo quando os teus olhos se habituaram à sombra.
Que encontres repouso no silêncio que te acolhe, que o teu coração volte a respirar no seu próprio ritmo, e que a ternura dos que te querem bem te envolva como um manto leve. E que saibas, com a suavidade de quem escuta uma verdade antiga, que não caminhas sozinho(a): há mãos que te amparam, há vozes que te guardam, há luz que te segue, mesmo quando não a procuras.
Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados
