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Mostrando postagens de abril, 2026

VIAJANTES CELESTES

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Sete viajantes celestes atravessam Áries como quem atravessa um portal esquecido. Não caminham: flutuam sobre fogos antigos, despertando memórias que o mundo já não sabia guardar. O Sol veste-se de ouro líquido e abre o caminho, um farol que rasga o véu entre o que fomos e o que ousamos ser. A Lua segue-o, translúcida, carregando nas mãos o eco das emoções que ainda não nasceram. Mercúrio sussurra encantamentos rápidos, palavras que brilham como lâminas húmidas. Marte, guardião do fogo primordial, ergue o seu estandarte de cinzas vivas. Saturno, o velho alquimista, recolhe o tempo nas mãos e molda-o em silêncio. Neptuno dissolve fronteiras, transformando o ar em neblina sagrada. E Quíron, o curandeiro ferido, caminha por último, para abrir o coração do mistério. Quando sete planetas atravessam Áries, o cosmos entoa um cântico que só a alma reconhece. As sombras tornam-se tochas. Os medos tornam-se portais. O destino torna-se chama. É o instante em que o universo recorda o primeiro sopr...

LUZ INTEIRA E ESPERANÇOSA

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Há momentos em que o choro nos consome, a alma recolhe-se como um pássaro cansado que procura um ramo seguro onde pousar. O mundo continua a girar lá fora, mas dentro de nós o tempo abranda, e cada pensamento ecoa como passos num corredor despido e silencioso. Ainda assim, mesmo nesse intervalo entre o que dói e o que se espera, há uma claridade que nos habita — discreta, mas verdadeira — como uma chama que não se deixa apagar pelo vento. Às vezes, a vida parece um céu encoberto. Mas por detrás das nuvens cinzentas a luz continua inteira, à nossa espera. E tu és feito(a) dessa mesma luz: não da que ofusca, mas da que aquece; não da que grita, mas da que permanece. Há uma força em ti que não precisa de ser vista para existir — basta senti-la, como quem sente o mar mesmo sem o ver. Quando o cansaço te tocar, deixa que a esperança se sente ao teu lado. Ela não exige nada, não te apressa, não te cobra. Apenas te acompanha, como um fio de música distante que te lembra que ainda há beleza ...