Depois da escuridão, veio a madrugada, uma madrugada cheia de luz, de cores intensas, de verdade. No coração, um desígnio; na boca, a sede promulgada de uma liberdade lenta, malograda, que ardia em tardes de desespero e profunda melancolia. Abril desceu à rua saltitando, audaz: calças largas, camisa solta, cabelo ao vento. Em motim, lá foi — vivaz, ansioso pelo festim desenhado pelas mãos aflitas do amanhecer: um rascunho do futuro e da felicidade que tardava, superando mágoas no horizonte da ansiedade. Desceu pelas calçadas, pelas praças, pelas fontes. Lançou-se pelas vielas, pelas ribeiras, pelas pontes. Colou-se às portas, às janelas, aos postigos. Matou abraços, espalhou sorrisos. Mas Abril… oh, meu Deus… Abril não passava de uma criança sorridente, filha de uma manhã inconsequente, vibrante, entusiasmada, que se enamorou por uma flor nascida no cano de uma espingarda. Esse Abril, inocente, aurora do esplendor, morreu nesse mesmo dia, in...