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Mostrando postagens de abril, 2026

ABRIL, FRAGMENTOS DE UTOPIA

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Abril por cumprir, aquele que inunda os corações, ancestral, persiste, à solta, na garganta dos poetas, na exultação das palavras, na exigência das promessas. Com elas, a esperança de que se cumpra o país universal. Fernando Alagoa © todos os direitos reservados Celebrando Abril | Arrojo, Desalento e Esperança | Poema 3 /3

ABRIL DE 1974

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Depois da escuridão, veio a madrugada, uma madrugada cheia de luz, de cores intensas, de verdade. No coração, um desígnio; na boca, a sede promulgada de uma liberdade lenta, malograda, que ardia em tardes de desespero e profunda melancolia. Abril desceu à rua saltitando, audaz: calças largas, camisa solta, cabelo ao vento. Em motim, lá foi — vivaz, ansioso pelo festim desenhado pelas mãos aflitas do amanhecer: um rascunho do futuro e da felicidade que tardava, superando mágoas no horizonte da ansiedade. Desceu pelas calçadas, pelas praças, pelas fontes. Lançou-se pelas vielas, pelas ribeiras, pelas pontes. Colou-se às portas, às janelas, aos postigos. Matou abraços, espalhou sorrisos. Mas Abril… oh, meu Deus… Abril não passava de uma criança sorridente, filha de uma manhã inconsequente, vibrante, entusiasmada, que se enamorou por uma flor nascida no cano de uma espingarda. Esse Abril, inocente, aurora do esplendor, morreu nesse mesmo dia, in...

ABRIL

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Os homens saíram à rua. Na alma carregavam a fome, no peito a necessidade de a saciar. Abril nasceu dessa vontade. Numa mão trazia a esperança, na outra a liberdade. Alastrou-se pelas ruas, pelas vielas, pelas praças, resoluto, abrindo caminhos, conquistando espaços. A revolução fez-se, não com armas, mas com cravos e abraços. Fernando Alagoa © todos os direitos reservados Celebrando Abril | Arrojo, Desalento e Esperança | Poema 1/3 (poema de 25 de Abril de 2020, revisitado)

LIVROS DE ESPERANÇA

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Pus a esperança nos livros, nunca me aquietei. Era preciso decifrar as palavras, rodopiá-las, sonhá-las outra vez, libertá-las, construir ilusões, deixá-las voar, sulcar os ventos, redesenhá-las, transformá-las em vulcões. Fernando Alagoa © todos os direitos reservados (poema de 23-04-2025)

VIAJANTES CELESTES

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Sete viajantes celestes atravessam Áries como quem atravessa um portal esquecido. Não caminham: flutuam sobre fogos antigos, despertando memórias que o mundo já não sabia guardar. O Sol veste-se de ouro líquido e abre o caminho, um farol que rasga o véu entre o que fomos e o que ousamos ser. A Lua segue-o, translúcida, carregando nas mãos o eco das emoções que ainda não nasceram. Mercúrio sussurra encantamentos rápidos, palavras que brilham como lâminas húmidas. Marte, guardião do fogo primordial, ergue o seu estandarte de cinzas vivas. Saturno, o velho alquimista, recolhe o tempo nas mãos e molda-o em silêncio. Neptuno dissolve fronteiras, transformando o ar em neblina sagrada. E Quíron, o curandeiro ferido, caminha por último, para abrir o coração do mistério. Quando sete planetas atravessam Áries, o cosmos entoa um cântico que só a alma reconhece. As sombras tornam-se tochas. Os medos tornam-se portais. O destino torna-se chama. É o instante em que o universo recorda o primeiro sopr...

SEDE

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Os meus lábios enamoraram-se pelos teus, em chamas, suplicam pelos beijos que havemos de trocar. Se o fogo me dominar, deixa-me arder, levar-te-ei comigo até a sede se perder. Fernando Alagoa © todos os direitos reservados (poema de 11-09-2019)

LUZ INTEIRA E ESPERANÇOSA

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Há momentos em que o choro nos consome, a alma recolhe-se como um pássaro cansado que procura um ramo seguro onde pousar. O mundo continua a girar lá fora, mas dentro de nós o tempo abranda, e cada pensamento ecoa como passos num corredor despido e silencioso. Ainda assim, mesmo nesse intervalo entre o que dói e o que se espera, há uma claridade que nos habita — discreta, mas verdadeira — como uma chama que não se deixa apagar pelo vento. Às vezes, a vida parece um céu encoberto. Mas por detrás das nuvens cinzentas a luz continua inteira, à nossa espera. E tu és feito(a) dessa mesma luz: não da que ofusca, mas da que aquece; não da que grita, mas da que permanece. Há uma força em ti que não precisa de ser vista para existir — basta senti-la, como quem sente o mar mesmo sem o ver. Quando o cansaço te tocar, deixa que a esperança se sente ao teu lado. Ela não exige nada, não te apressa, não te cobra. Apenas te acompanha, como um fio de música distante que te lembra que ainda há beleza ...