VIAJANTES CELESTES
Sete viajantes celestes atravessam Áries como quem atravessa um portal esquecido. Não caminham: flutuam sobre fogos antigos, despertando memórias que o mundo já não sabia guardar.
O Sol veste-se de ouro líquido e abre o caminho,
um farol que rasga o véu entre o que fomos e o que ousamos ser.
A Lua segue-o, translúcida, carregando nas mãos o eco das emoções que ainda não nasceram.
Mercúrio sussurra encantamentos rápidos, palavras que brilham como lâminas húmidas.
Marte, guardião do fogo primordial, ergue o seu estandarte de cinzas vivas.
Saturno, o velho alquimista, recolhe o tempo nas mãos e molda-o em silêncio.
Neptuno dissolve fronteiras, transformando o ar em neblina sagrada.
E Quíron, o curandeiro ferido, caminha por último, para abrir o coração do mistério.
Quando sete planetas atravessam Áries,
o cosmos entoa um cântico que só a alma reconhece.
As sombras tornam-se tochas.
Os medos tornam-se portais.
O destino torna-se chama.
É o instante em que o universo recorda o primeiro sopro,
aquele que acendeu o mundo antes de haver mundo.
E nesse sopro, cada ser é convidado a renascer,
não como era, não como esperavam que fosse,
mas como a centelha que sempre esteve escondida
no centro mais secreto de si próprio.
Áries levanta-se, avança, arde
e depois, tal como Fénix, a quem concedeu o segredo,
renasce do próprio fogo.
Fernando Alagoa © 2026 | Todos os direitos reservados
