NÃO IMPORTA O DESTINO. O QUE IMPORTA É DECIDIR EMBARCAR

Há frases que chegam sem aviso.

Esta, saída de um filme (Expresso Polar) que fala de fé, de coragem e de magia, recordou‑me que a vida não se cumpre no destino, mas pelo instante em que decidimos avançar.


Embarcar é um gesto de alma, um acto íntimo, quase secreto, um pacto silencioso com o desconhecido.

É escolher ir, mesmo quando o horizonte parece feito de nevoeiro e silêncio.

É aceitar que o caminho só se revela a quem ousa.


A iniciativa é o primeiro raio de sol que rasga a madrugada: discreta, mas capaz de romper a noite.

O receio, velho companheiro, desvanece quando a curiosidade desperta, como uma janela que se abre para deixar entrar o mundo.


O caminho, esse mestre paciente, ensina-nos sem pressa.

Mostra que cada erro é uma pedra que se transforma em degrau,

que cada acerto é uma bússola,

e que cada desvio pode ser, afinal, a rota certa.


A excelência não é um troféu distante.

É um modo de caminhar.

É o cuidado que colocamos nos gestos,

a atenção que damos ao detalhe,

a vontade de fazer bem, mesmo quando ninguém observa.


No fundo, embarcar é confiar que a vida responde ao movimento.

Que o saber nasce da procura.

Que a coragem abre trilhos onde antes só havia silêncio.

E que o momento perfeito não é uma data, é o instante em que nos permitimos começar.


O comboio está ali, imóvel mas vivo, à espera.

O destino, esse mistério, permanece em aberto.

O que define a viagem é a coragem de entrar na carruagem

e permitir que o caminho nos transforme.


Fernando Alagoa © Todos os direitos reservados


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