JUVENTUDE
Quando era jovem, a pele tinha um brilho que me iluminava por dentro, como se cada poro guardasse um pequeno sol. O cabelo, inquieto, disputava com a luz — e eu acreditava, secretamente, que o próprio dia nascia ali. Caminhava com a leveza de quem ainda não conhece o peso do mundo, e cada gesto era um voo breve, um rouxinol escondido no peito a bater asas sem pedir licença. A visão alcançava longe, o horizonte, os sonhos. E a voz… a voz tinha a ousadia de um leão jovem, certa de que o futuro lhe pertencia. Os anos passaram, não com violência, mas com aquela firmeza terna que só o tempo sabe usar. Levaram brilho, levaram ímpeto, levaram pressa. Mas deixaram-me algo mais profundo: uma doçura que não conhecia, uma sabedoria que não pedi, uma serenidade que me veste melhor do que qualquer juventude. A verdade é que a juventude nunca partiu. Mudou de lugar. Já não vive na pele, vive no pensamento. Já não dança nas pe...